quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Passado, presente e futuro dos maiores festivais musicais no Brasil

        Vamos relembrar aqui um pouquinho da história de grandes festivais que rolaram no Brasil nas últimas décadas e que seguem com força até hoje. O Rock in Rio, Planeta Terra e o mais recente SWU.

Rock in Rio I
Freddie Mercury, vocalista do Queen, no Rock in Rio de 85
[Foto: Divulgação]
        A primeira edição do Rock in Rio aconteceu em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, entre os dias 11 e 21 de janeiro de 1985. Uma área de 250 mil m² foi especialmente montada para receber o megaevento. 28 bandas se apresentaram nesses dez dias de puro rock e reuniu 1.380.000 pessoas (gente pra caralho!) e foi um momento histórico para o Brasil, que acabava de sair de uma ditadura e abria as portas pela primeira vez a grandes artistas internacionais.
        As grandes atrações internacionais foram: AC-DC, Iron Maiden, Ozzy Osbourne, Queen (sem dúvida, o show mais aguardado pelo público e os caras corresponderam à altura) e Scorpions. Os shows nacionais ficaram por conta de grandes nomes como Barão Vermelho, Blitz, Kid Abelha, Lulu Santos, Os Paralamas do Sucesso e Rita Lee.

Rock in Rio II 
        As pessoas aguardaram ansiosas por uma segunda edição do festival, já que a primeira foi um sucesso. O Estádio do Maracanã foi palco para o Rock in Rio II, que aconteceu entre os dias 18 e 27 de janeiro de 1991 e teve um público total de 700 mil pessoas.
42 bandas se apresentaram durante os nove dias de festival com destaque para os shows do Faith No More, Guns N’ Roses, A-Ha e Sepultura.

Rock in Rio III
        Após 10 anos sem Rock in Rio, nascia uma nova Cidade do Rock, construída em Jacarepaguá para comportar 250 mil pessoas por dia. O Rock in Rio de 2001 aconteceu entre os dias 12 e 21 de janeiro, reuniu 1.235.000 pessoas e 160 bandas.
Edição de 2001 do Rock in Rio
[Foto: Divulgação]
        A terceira edição trouxe atrações para todos os gostos musicais (de N’Sync a Guns N’ Roses) e promoveu/apoiou projetos socioambientais com foco em educação. O slogan do festival era “Rock in Rio, por um mundo melhor”. Foi nessa edição também que surgiram outros espaços além do palco principal, onde as apresentações eram divididas por estilos.

        A cabeleireira Bia Ifran, de São Borja, ganhou um ingresso na época pela promoção da rádio Jovem Pan. Segundo Bia, valeu muito a pena ter ido e os melhores shows foram o do Guns N’ Roses e do Pato Fu. Roberto Medina, idealizador do Rock in Rio, decidiu em 2004 internacionalizar a marca. O festival foi para a Europa, onde teve sucesso e consagrou-se um dos maiores do mundo, tendo edições em Lisboa (2004, 2006, 2008 e 2010) e Madrid (2008 e 2010).

Planeta Terra
        Em sua primeira edição, em 2007, o Festival Planeta Terra reuniu um público de 15 mil pessoas e teve como destaques a banda de rock Kasabian e a cantora inglesa Lily Allen (ainda em começo de carreira e gordinha), com seu hit Smille.
Lily Allen sendo agarrada por fãs no Planeta Terra de 2007
[Foto: Divulgação]
        O produtor Calvin Harris, um dos DJs mais disputados em festivais de todo o mundo participou da segunda edição do Festival Planeta Terra, em 2008. Os ingleses do Kaiser Chiefs fizeram um dos shows mais aplaudidos.
Foi também em 2008 que aconteceu um dos shows mais memoráveis entre todas as edições do Festival Planeta Terra foi, sem dúvida, Iggy Pop & The Stooges. Iggy, na época com 62 anos, dançou e pulou no palco.
        Em 2009, a banda de rock alternativo Sonic Youth subiu ao palco do Festival Planeta Terra. Os nova-iorquinos empolgaram a plateia com suas guitarras distorcida. A dupla britânica The Ting Tings também agradou o público. Os destaques brasileiros ficaram por conta da banda Móveis Coloniais de Acaju e da banda curitibana Copacabana Club.
        O público estimado em 20 mil pessoas, lotou o Playcenter no ano de 2010. Foram doze horas de música e quinze atrações, o destaque maior ficou para o show do cantor Mika, que fez um dos shows mais contagiantes (e purpurinado) da história do festival.

SWU
Regina Spektor cantando na primeira edição do SWU
[Foto: Divulgação]
        A fazenda Maeda em Itu, interior de São Paulo, foi palco da primeira edição do SWU: Music + Arts Festival.  Foram três dias, mais de 70 bandas, 700 artistas e um público total de 150 mil pessoas. O público elogiou a escolha das bandas e os shows, mas fez muitas críticas à organização e à infraestrutura. Alguns problemas que se repetiram esse ano. Destaques para os shows do Rage Against the Machine, Pixies, Regina Spektor e Joss Stone.


     O segundo semestre de 2011 foi marcado por grandes festivais que aconteceram em períodos curtos entre um e outro. Para simplificar a sua vida, no infográfico abaixo você encontra os principais festivais de música que rolaram no Brasil em 2011:


PS: Nenhum alimento foi desperdiçado durante a produção deste infográfico

        O que rolou de mais interessante nos festivais desse ano você pode conferir no nosso videocast abaixo, que traz os principais acontecimentos que se destacaram dos eventos: 



Pretende ir a algum grande festival ano que vem? Confira no podcast o que já está programado para 2012. :D

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Eu quero cinema, bebê!

Fachada do antigo Cinema Variedades de São Borja, onde
atualmente funciona uma loja [Foto: Nycolas Ribeiro]
Quando foi a última vez que você foi ao cinema? Na sua cidade tem cinema? São Borja há alguns anos não tem cinema, mas já foi no cinema que a população samborjense se encontrava. Até os anos 80, o cinema - não só na Terra dos Presidentes -, era ponto de encontro das pessoas, local de diversão, cultura, conhecimento e até mesmo ponto de encontro para casais. Atualmente a maioria dos cinemas do país está nos shoppings, fato que contribuiu para o seu quase extermínio.
         A única opção que tenta resgatar esta aura de magia do cinema na cidade é o Sessão Pipoquinha, Projeto de Extensão da Universidade Federal do Pampa – Unipampa -, idealizado pela professora Mara Ribeiro. O projeto faz sessões de cinema geralmente a cada quinze dias, sempre com um debate sobre temas pertinentes após o filme, as sessões são gratuitas e abertas à comunidade.
              Neste podcast do Funil Hiperativo nós comentamos um pouco sobre a situação dos cinemas no Brasil e ouvimos boas histórias sobre o cinema em São Borja:

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Hilda Hilst e o não-reconhecimento

Hilda Hilst [Foto: Divulgação]
        Alucinante. Lúcida. Assim defini-se Hilda Hilst, em toda sua poesia-prosa, em todo seu encanto-desencantado, em toda sua força e magnitude. Uma das maiores escritoras deste país ainda não é conhecida como merece. Há dois anos, enquanto aventurava-me pela obra de Caio Fernando Abreu acabei me deparando com a amizade do autor com a escritora paulista, decidi então procurar pela obra de Hilda Hilst, ao ir à biblioteca de minha cidade, pergunto se eles tem algum livro da autora, a bibliotecária vergonhosamente me perguntou se a escritora era internacional, disse que não, ao que ela respondeu que nunca havia ouvido falar nesta autora e nem possui nada dela.
                Hilda sabia de sua não-fama, durante sua vida (1930-2004) a autora teve poucos críticos que a amavam como a maior voz da literatura e outros que a consideravam impossível de ser lida, em toda a sua vociferação intimista. Corajosa, obscena, verdadeira, única. Mas quantos leram algo de Hilda? Em sua trilogia obscena (O caderno rosa de Lori Lamb - Contos D’Escárnio/ Textos Grotescos – Cartas de um sedutor) Hilda zomba do mercado editorial brasileiro, de suas artimanhas e ainda escancara o sexo de forma corajosa, mas mesmo assim jocosa. HH, como se autodenomina, usa desse turbilhão de sentimentos, que passeia pela ironia, pelo belo, pelo assustador, pelo cotidiano e pelo metafísico, de forma tão intensa como raras vezes se viu na literatura brasileira.
                E ainda assim, por que a obra da autora não está nas escolas, nas aulas de literatura, por que não é idolatrada de forma justa? A obra completa de Hilda Hilst está sob domínio da Editora Globo, que relançou todos os livros com uma arte gráfica minimalista e com organização de Alcir Pécora, Professor de teoria literária na Unicamp. Vale a pena buscar um pouco da obra dessa mestra das palavras, que escreveu prosa, poesia, teatro e híbridos dos anteriores.
                

domingo, 27 de novembro de 2011

Sigur Rós escorre seu post-rock como lava vulcânica em álbum ao vivo

Divulgado com aura de mistério na internet, o álbum ao vivo “Inni” dos islandeses do Sigur Rós é mais uma experiência de uma das maiores bandas de post-rock da atualidade. Junto com o álbum vem também um filme, sim, um filme, pois o Sigur Rós não faz DVDs, faz filmes, e quem já assistiu o documentário “Heima” sabe do que estou falando.  Com 14 músicas já lançadas em discos de estúdio e uma inédita, o álbum traz toda a aura etérea e intensa da banda no palco.
Foto: Last.fm
         Ao ouvir Sigur Rós perguntava sobre a qualidade das canções ao vivo, mas em “Inni” fica clara a força e a magia que os envolve, em versões que mantem a essência do post-rock minimalista da banda. Parece que quando o arco de violoncelo encontra a guitarra de Jónsi, nos sentimos em outro planeta, nos sentimos sugados para dentro desse mundo do Sigur Rós, onde o importante são as sensações e a língua oficial é o Vonlenska – algo como “esperancês”, em português, língua criada pela banda ainda no álbum “Von” e que não serve como forma de comunicação, mas apenas para dar ritmo as canções.  Um dos pontos mais impressionantes de “Inni” é o falsete do vocalista Jónsi e como ele se mantém forte ao vivo, mesmo em músicas como “Svefn-G-Englar” com seus dez minutos de duração.
         A escolha das canções é acertada, passando por (quase) hits da banda, como “Hoppípolla” e “Glósóli”, e maravilhas como “Ný Batterí” e “Untitled VI (E-Bow)”. A canção inédita, chamada “Lúppulagið”, remota ao segundo álbum da banda, o “Ágætis byrjun”, com seu aspecto delicado e quase élfico. Um álbum duplo e ao vivo, com 103 minutos, parece até loucura em tempos de fibra ótica, mas o Sigur Rós não quer correr contra o tempo, eles querem é deixá-lo escorrer lentamente como a lava dos inúmeros vulcões da Islândia, eles querem a simplicidade e a força de uma música que nos envolve e que não será descartada assim que o HD ficar com a memória cheia.
          Como foi falado no início, o disco é lançado juntamente com o filme, mas no Brasil dependeremos da boa vontade de algum distribuidor para vê-lo em salas comerciais, já que não há previsão de estréia nem de exibição em algum festival ou mostra. Por enquanto ficamos apenas com a experiência do álbum, que faz um apanhado belíssimo dos 17 anos de carreira da maior banda da Islândia (aqui considero a Björk como a maior artista solo do país). Em 2001, no livro “Rumo à estação Islândia”, o jornalista Fabio Massari dizia que “não deve existir, hoje, voz mais impressionante do que a de Jónsi” e perguntava: são eles “o pop do futuro? O futuro do pop?”  e Jónsi respondeu que eles fazem “‘canção pop comum do futuro’, que nós desaceleramos e deixamos mais esvoaçante”. Não sei dizer se o Sigur Rós é o pop do futuro, mas se o for quero viver muitos anos, onde possa ouvir este “Inni” como uma passagem para um mundo onde a felicidade é simplesmente sentir.
          Abaixo o vídeo misterioso usado para divulgar o disco/filme:

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Augusto Boal e o Teatro do Oprimido

     O documentário Augusto Boal e o Teatro do Oprimido, dirigido por Zelito Viana, foi um dos destaques do Festival do Rio de 2011 e mostra a trajetória de Boal, um dos nomes mais importantes do teatro brasileiro, desde o Teatro de Arena de São Paulo até o ano de 2009.

     O filme também traça uma linha evolutiva do Teatro do Oprimido, criação de Augusto Boal, presente em 72 países desde a década de 70 e ainda conta com depoimentos de Chico Buarque, Edu Lobo, Julian Boal e Ferreira Goulart, entre outros. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A imaturidade de Dolan

Cena de Os Amores Imaginários [Foto: Divulgação]
            Com um ano de atraso, finalmente chegou aos cinemas brasileiros o segundo longa-metragem do diretor canadense Xavier Dolan, Os Amores Imaginários. Dolan - que foi premiado no Festival de Cannes com o seu filme de estreia como diretor/produtor/roteirista, Eu Matei Minha Mãe, no qual trabalhou também como intérprete do personagem principal -, em seu “novo” trabalho, continua abusando de takes em câmera lenta e da fotografia impecável no decorrer de 1 hora e 40 minutos.
          Acontece da seguinte forma: você vê aquela pessoa que pode ser comparada com Adônis (que na mitologia grega era o padrão de beleza a ser seguido), pensa, a princípio, que é apenas um exibicionista qualquer e depois de algumas conversas descobre que ele também é culto, inteligente, engraçado e mente aberta, além de carinhoso ao extremo, o que lhe faz pensar que ele quer algo além de uma simples amizade. Surge a pergunta: como não se apaixonar? Ou melhor: como não se ver envolvido psicologicamente por esse jogo de dúvidas e atrações?
            Francis (Dolan) e Marie (Monia Chokri) são bons amigos até o momento em que conhecem Nicolas (Niels Schneider), um lindo rapaz que acaba de chegar do interior a Montreal. A história se desenrola na tentativa de ambos – Francis e Marie – em conquistar Nicolas, transformando a boa amizade daqueles em uma rivalidade imatura e mesquinha, enquanto este parece não entender todo o conflito. A narrativa é acompanhada por depoimentos de pessoas que passaram pela experiência de se apaixonar por alguém que parecia ser recíproco ao sentimento, contudo essa reciprocidade não passava de imaginação.

As três capas dos DVDs do filme [Foto: Divulgação]

            Os Amores Imaginários é detalhista ao extremo nas expressões das personagens e na arquitetura das cenas, que, por vezes, são postas em câmera lenta e acompanhadas de uma trilha sonora excepcional - como a inesquecível “Bang Bang” da cantora egípcia Dalida -, é impecável na fotografia, nas cores que a constitui e no figurino, com referências claras à atriz Audrey Hepburn.
           No entanto – talvez pela sobrecarga que o jovem ator/roteirista/diretor/produtor (não necessariamente nessa ordem) toma para si, talvez por uma possível imaturidade do mesmo -, o filme peca no roteiro, o qual é claramente produzido dentro de concepções intelectuais acerca de qualquer coisa, porém mal construído dentro do (pseudo)romance. Os diálogos se perdem em discussões filosóficas na tentativa de mostrar uma possível intelectualidade das personagens (ou, quem sabe, do próprio diretor), que pouco têm haver com a história central, podendo fazer com que o espectador se perca na real finalidade que o longa se propunha a transmitir.
            Xavier Dolan pode até ser considerado um bom diretor contemporâneo – como eu próprio acredito -, mas ele ainda precisa avaliar seu possível egocentrismo, perceptível na tentativa de ser um “faz-tudo” no cinema, para que ele possa finalmente estabelecer o que faz de melhor e nisso ser louvável.

Confira o trailer do filme:

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Nostalgia Cultural

Na semana passada, Meia-Noite em Paris, o mais recente filme do diretor Woody Allen chegou às locadoras. O longa faz o espectador experimentar uma viagem no tempo junto ao protagonista, Gil, interpretado por Owen Wilson. Gil é um roteirista de sucesso em Hollywood, que está infeliz com o seu trabalho.
Foto: Divulgação
     O protagonista viaja a Paris para conhecer a família de sua noiva. O casal acaba se desentendendo durante um jantar e Gil, já um pouco bêbado, decide sair sem rumo pelas ruas da cidade luz. É nessa noite que algo muito estranho acontece, um carro lhe oferece carona e o leva para a Paris dos anos 20. É nessa Paris que ele se vê feliz, lá ele conhece o seu ídolo, o escritor Hemingway e outros grandes artistas, como o pintor Pablo Picasso, esses encontros rendem cenas hilárias com piadas inteligentes.
O filme consegue nos levar para essa cidade que transborda cultura e não tem como não se apaixonar pela Paris de 1920. Mas os personagens que vivem nessa época queriam viver na anterior, isso demonstra uma tendência natural à nostalgia - O ponto chave da trama.

Foto: Divulgação
O espectador fica confuso e não sabe até que ponto tudo aquilo é real, assim como o personagem principal. Nas noites seguintes Gil vai ao mesmo lugar, no mesmo horário e pega a carona mágica, com o “carro do tempo”, que o leva de novo a experiências paralelas e surreais. Um romance nasce nesse mundo paralelo, o que vai criar a grande dúvida do protagonista. Viver para sempre nessa época dos sonhos ou viver no Séc. XXI?
Owen Wilson, para a minha surpresa, está muito bem no papel. Sério, ele faz as vezes de Woody. O mestre Woody Allen, por sua vez, consegue surpreender ao transforma um roteiro simples em algo cativante, com uma narrativa engraçada e romântica, sem ser clichê, mas que faz qualquer um se identificar. Afinal, quem nunca desejou viver em outra época? O filme faz refletir essa questão, nos tira desse marasmo nostálgico que vivemos e mostra que estamos na época certa para nós. Ah, e fui convencida Paris na chuva é realmente mais linda.
Confira o trailer do filme:

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Um híbrido de “grime” e “easy-listening”

Foto: Last.fm
Mesmo produzindo música desde os 14 anos de idade, o britânico EdSheeran foi descoberto no início de 2011 como o “estranho fenômeno pop do momento”. Ganhou mais notoriedade quando assinou contrato com a gravadora Asylum / Atlantic Records, ganhando espaço comercial com o álbum “+”, lançado em 9 de setembro deste ano. Ainda desconhecido por muitos no Brasil, o ruivo de apenas 20 anos tem conquistado grande público lá fora, o que o levou a ganhar na semana passada (16 de novembro) o prêmio de Melhor Artista Revelação no 8º UK Festival Awards, deixando alguns favoritos para trás, como as (não tão) revelações Jessie J. e Bruno Mars.
O álbum de estreia de Sheeran é uma mescla de sons, indo de melodias românticas bem sustentadas apenas com um violão (como a faixa “Kiss Me”), chegando às batidas do UK hip-hop, com um pé no rap (como a agitada “You Need Me, I Don't Need You”). As letras, em sua maioria, trazem o amor de forma bem original, com frases simples, uma dose de palavrões e situações do cotidiano, fugindo da mesmice do tema. A música “Wake Me Up” é um exemplo: quase que acústica, tendo como base somente um piano e um tom de voz bem calmo, Ed canta sobre a relação com uma garota e as situações românticas (ou não) que passaram, além de conseguir trazer de forma inusitada a frase “E eu sei que você ama Shrek / porque nós o assistimos 12 vezes / Mas, talvez você esteja esperando por um conto de fadas também”. Solta, o trecho parece algo bizarro e infantil, mas no contexto e na melodia da faixa, acaba se tornando uma metáfora inteligente que se encaixa com a música.
Citando-o na música “You Need Me, I Don't Need You”, Ed tem grande influência de Damien Rice, e talvez a faixa que mais se assemelhe seu trabalho com a do irlandês é a apaixonante “Give Me Love”. Iniciando com um timbre calmo e alterando para um mais eufórico no refrão, a música tem vários traços que lembram as melodias de Rice. Outro ponto bem recorrente nas letras do britânico são os cigarros e bebidas alcóolicas. A divertida e alusiva “Drunk” já começa com Sheeran desejando estar bêbado quando acordar “no lado certo de uma cama errada”.
Apesar da sem graça “The A Team” ter sido o single de estreia de sua carreira, onde o próprio Ed Sheeran produziu um videoclipe caseiro onde gastou apenas 20 libras esterlinas, a faixa que mais tem trazido o ruivo para o topo das rádios britânicas é “Lego House” (confira abaixo). Parte desse sucesso se deve ao videoclipe protagonizado pelo ator (e amigo) Rupert Grint, intérprete de Rony Weasley na saga “Harry Potter”. Em todos os seus vídeos Sheeran faz apenas participações, geralmente aparecendo no final.


Com um álbum dinâmico contendo letras lindas e divertidas, Edward Sheeran começou bem a sua carreira, mostrando originalidade e identidade em sua música. Em poucos dias o álbum “+” foi um dos mais tocados no meu Last.fm, passando bandas que ouço há meses e que foram indicações da rede social. Já me assumo fã, e aguardo ansioso novos trabalhos de Sheeran, esperando que ele mantenha (ou melhore) esse estilo tão próprio, carregado de inspirações vindas de amores, garrafas de whisky e maços de cigarros.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

É o Funil na rádio!

Você tá ligado em tudo o que vai rolar na 2ª edição do PampaStock em São Borja nos dias 9 e 10 de dezembro? Você conhece o trabalho da banda Ventura? No programa radiofônico do Funil Hiperativo, confira essas reportagens e se atualize sobre tudo que está rolando no cenário musical pelo mundo. :D


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Paramore em uma possível crise sem Josh Farro?

Foto: divulgação
O novo EP “Singles Club” da banda Paramore já está em pré-venda pelo site oficial. Com edição limitada de apenas 3.500 unidades, o box inclui a já conhecida “Monster”, que faz parte da trilha sonora de “Transformers: O Lado Oculto da Lua”, a também conhecida “In The Mourning”, mas com a versão de estúdio nunca antes divulgada, e as inéditas “Renegade” (que, além de “Monster”, é a única que já está disponível para download) e “Hello Cold World”.
São quatro opções de compras do box “Singles Club”: Músicas digitais + 7 vinil box set + camiseta, por U$ 54,99; músicas digitais + 7 vinil box set, por U$ 39,99; músicas digitais + camiseta, por U$ 18,99; ou apenas as músicas digitais, por U$ 2,99. Todos os pacotes dão acesso à área exclusiva do site “Singles Club Only”, onde apenas quem tiver o código que vem juntamente com os pacotes, poderá comprar mercadorias específicas lançadas ao longo do ano.
Como fã da banda, fiquei muito animada ao saber que “Renegade” já estava disponível na internet. Mostrei-a para alguns amigos e o que ouvi de todos foi “as músicas do Paramore são todas iguais”. Confesso que esperava mais da canção e admito não ter achado muita graça, pois ela soa incrivelmente parecida com “Monster”, a qual o clipe não para de ser veiculado na MTV. Até a doce e tocante “In The Mourning” tem o seu arranjo musical copiado de “Landslide”, da banda Fleetwood Mac, que teve seu auge na década de 70. Recentemente o Paramore fez um medley de “In The Mourning” e “Landslide” no show comemorativo dos 15 anos da gravadora da qual fazem parte, Fueled By Ramen, em Nova Iorque.



 Após a saída dos irmãos Farro, em dezembro de 2010, a vocalista Hayley Williams admitiu em um post no LiveJournal do grupo, que o processo de composição para ela é sempre estranho, onde ela duvida dela mesma e ouve as músicas antigas para poder se acalmar. Josh Farro, ex-guitarrista solo da banda, era o braço direito de Hayley na hora de compor. Ele criava as melodias e ela as letras. E é justamente isso que parece estar faltando no novo Paramore: esse toque Josh Farro.
Qual o fã, que ao ver um vídeo de “Misery Business” ao vivo, não sente falta do grito “Hey Josh!”, que Hayley dava ao meio da música, para anunciar o solo arrasador do guitarrista, este que por um momento tinha todas as atenções inteiramente direcionadas a ele? Ou não só dando o seu toque na parte instrumental, mas também como apoio vocal, na inesquecível “My Heart” e na crítica “Playing God”?
Com apenas Hayley Williams, Jeremy Davis e Taylor York, a banda continua com as batidas que imortalizaram seu estilo – fato que se explica por Taylor ser o guitarrista rítmico - e isso é indiscuti-velmente bom, não só para a banda, como para os fãs, que continuam enxergando o Paramore nas canções, mesmo depois de tantas mudanças. Entretanto, o que falta são os solos, os arranjos e a diferença que Josh Farro fazia nos shows, quando mesmo quieto e no seu canto esquerdo do palco, fazia com que cada música soasse única.
Assim esperamos ansiosamente o lançamento de “Hello Cold World”, para constatarmos se esse problema de músicas “iguais” se resolverá ou se devemos esperar até 2012, quando o quarto álbum começará a ser produzido.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Eles não sabem a hora de parar

Cena de Atividade Paranormal 3 [Foto: Divulgação]
Críticos de cinema quase ignoram a existência do gênero terror. O Oscar parece nem ter conhecimento dessas produções, o que obrigou a criação do Scream Awards, evento dedicado à premiação dos longas desse gênero, como também ficção científica e fantasia. Durante toda a história, o terror teve seus altos e baixos, marcando os anos 80 como a década de ouro. “Atividade Paranormal 3”, que teve estreia mundial no final do mês passado (21 de outubro), segue a trama dos filmes anteriores que trouxeram à tona o novo potencial do gênero: as produções de baixo custo com efeito amador. Nada inovador, já que no final dos anos 90, “A Bruxa de Blair” foi o filme pioneiro nesse estilo. O terceiro filme da série arrecadou US$ 54 milhões no final de semana de estreia apenas nos Estados Unidos, batendo o recorde de melhor lançamento de filme de terror na história do cinema.
Eu, como fã dos dois primeiros filmes da série "Atividade Paranormal", não achei o terceiro como o melhor. Dou crédito para o clima de tensão presente na trama, para as cenas assustadoras demasiadamente simples, sem excesso de sangue e tripas que enojam o telespectador. Entretanto, a história se perdeu do enredo criativo e bem elaborado dos primeiros filmes. “Atividade Paranormal”, que surgiu como um projeto independente de um pequeno diretor norte-americano, caiu no gosto popular e infelizmente nas mãos das grandes produtoras. O que tinha tudo para ser uma grande série de qualidade de um gênero tão marginalizado, tornou-se mais um bom filme de terror com grande bilheteria. Ponto para a indústria cultural. Adorno e Horkheimer devem estar aplaudindo em seus túmulos.
Cartaz de Panico 4 [ Foto: Divulgação]
Os fãs estão ansiosos pelo possível quarto filme. Don Harris, presidente da Produtora Paramount, afirma estar surpreso com a ótima repercussão do filme, e que há sim um projeto para sequência. Parece que não se contentam mesmo com uma ótima trilogia, seguindo sempre a lógica do “se deu muito dinheiro até agora, por que não fazer mais?”. A série “Jogos Mortais” começou ótima, e a história que era pra ser contada em três episódios, acabou em sete, perdendo a qualidade no roteiro a cada filme. Por que não seguir o exemplo de “Matrix” e conquistar seu espaço na história como uma grande franquia de ficção científica? Antes do estilo caseiro de “Atividade Paranormal”, o cinema norte-americano estava lucrando em cima de remakes de filmes orientais, como “O Grito” e “O Chamado”, sendo que ambos foram excelentes em seus primeiros filmes, mas desandaram completamente logo no segundo filme.
Por essas e outras, o terror não ganha credibilidade e nem espaço respeitável na história do cinema, sendo brilhante apenas em fases, e não constantemente. Para mim a série se encerra agora, com a terceira produção boa, mas que não se compara às anteriores. Tenho quase certeza que a série “Atividade Paranormal” não irá se sair tão bem quanto a “Pânico”, que teve sua trilogia nos anos 90, e uma quarta produção incrível lançada 11 anos depois do terceiro filme. “Pânico 4” não caiu na mesmice que se espera das sequências de terror, trazendo um roteiro criativo e repleto de intertextos. Wes Craven, diretor da série, é um gênio do gênero que sabe a hora de parar, mas que também espera a hora exata para surpreender os fãs com um novo filme inteligente, apavorante e com uma pitada inteligente de diversão e comédia.
Abaixo você pode assistir ao trailer do filme Atividade Paranormal 3:

terça-feira, 1 de novembro de 2011

De que cor é o funil?

          Você está no Funil Hiperativo e, provavelmente, deve estar se perguntando o que esse bando de “desocupados” têm na cabeça e WTF é isso. Esse blog é a produção de um grupo de acadêmicos de jornalismo da Universidade Federal do Pampa.
       A nossa proposta é fazer um jornalismo de qualidade e tratar de cultura de uma forma “extorvertida” (entenda a piada aqui), ou seja, de uma forma que faça você gostar de acompanhar, e não aquela coisa chata de bancada.
       Você já pensou que tudo pode ser cultura? Assistir um filme, ouvir uma música, ler um livro, até ficar na internet – lendo esse blog, de preferência, é claro – é considerado cibercultura. Por isso o nosso funil é hiperativo. Nós colocaremos desse “tudo” dentro do nosso funil e a levaremos até você de uma forma diferente.
       Se você quiser conhecer um pouco mais sobre os integrantes do Funil, siga-nos no Twitter: @27memories, @_nycck, @phillippgripp, @_renangerra e @tatidiz. :D