Divulgado com aura de mistério na internet, o álbum ao vivo “Inni” dos islandeses do Sigur Rós é mais uma experiência de uma das maiores bandas de post-rock da atualidade. Junto com o álbum vem também um filme, sim, um filme, pois o Sigur Rós não faz DVDs, faz filmes, e quem já assistiu o documentário “Heima” sabe do que estou falando. Com 14 músicas já lançadas em discos de estúdio e uma inédita, o álbum traz toda a aura etérea e intensa da banda no palco.
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| Foto: Last.fm |
Ao ouvir Sigur Rós perguntava sobre a qualidade das canções ao vivo, mas em “Inni” fica clara a força e a magia que os envolve, em versões que mantem a essência do post-rock minimalista da banda. Parece que quando o arco de violoncelo encontra a guitarra de Jónsi, nos sentimos em outro planeta, nos sentimos sugados para dentro desse mundo do Sigur Rós, onde o importante são as sensações e a língua oficial é o Vonlenska – algo como “esperancês”, em português, língua criada pela banda ainda no álbum “Von” e que não serve como forma de comunicação, mas apenas para dar ritmo as canções. Um dos pontos mais impressionantes de “Inni” é o falsete do vocalista Jónsi e como ele se mantém forte ao vivo, mesmo em músicas como “Svefn-G-Englar” com seus dez minutos de duração.
A escolha das canções é acertada, passando por (quase) hits da banda, como “Hoppípolla” e “Glósóli”, e maravilhas como “Ný Batterí” e “Untitled VI (E-Bow)”. A canção inédita, chamada “Lúppulagið”, remota ao segundo álbum da banda, o “Ágætis byrjun”, com seu aspecto delicado e quase élfico. Um álbum duplo e ao vivo, com 103 minutos, parece até loucura em tempos de fibra ótica, mas o Sigur Rós não quer correr contra o tempo, eles querem é deixá-lo escorrer lentamente como a lava dos inúmeros vulcões da Islândia, eles querem a simplicidade e a força de uma música que nos envolve e que não será descartada assim que o HD ficar com a memória cheia.
Como foi falado no início, o disco é lançado juntamente com o filme, mas no Brasil dependeremos da boa vontade de algum distribuidor para vê-lo em salas comerciais, já que não há previsão de estréia nem de exibição em algum festival ou mostra. Por enquanto ficamos apenas com a experiência do álbum, que faz um apanhado belíssimo dos 17 anos de carreira da maior banda da Islândia (aqui considero a Björk como a maior artista solo do país). Em 2001, no livro “Rumo à estação Islândia”, o jornalista Fabio Massari dizia que “não deve existir, hoje, voz mais impressionante do que a de Jónsi” e perguntava: são eles “o pop do futuro? O futuro do pop?” e Jónsi respondeu que eles fazem “‘canção pop comum do futuro’, que nós desaceleramos e deixamos mais esvoaçante”. Não sei dizer se o Sigur Rós é o pop do futuro, mas se o for quero viver muitos anos, onde possa ouvir este “Inni” como uma passagem para um mundo onde a felicidade é simplesmente sentir.
Abaixo o vídeo misterioso usado para divulgar o disco/filme:

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