segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Hilda Hilst e o não-reconhecimento

Hilda Hilst [Foto: Divulgação]
        Alucinante. Lúcida. Assim defini-se Hilda Hilst, em toda sua poesia-prosa, em todo seu encanto-desencantado, em toda sua força e magnitude. Uma das maiores escritoras deste país ainda não é conhecida como merece. Há dois anos, enquanto aventurava-me pela obra de Caio Fernando Abreu acabei me deparando com a amizade do autor com a escritora paulista, decidi então procurar pela obra de Hilda Hilst, ao ir à biblioteca de minha cidade, pergunto se eles tem algum livro da autora, a bibliotecária vergonhosamente me perguntou se a escritora era internacional, disse que não, ao que ela respondeu que nunca havia ouvido falar nesta autora e nem possui nada dela.
                Hilda sabia de sua não-fama, durante sua vida (1930-2004) a autora teve poucos críticos que a amavam como a maior voz da literatura e outros que a consideravam impossível de ser lida, em toda a sua vociferação intimista. Corajosa, obscena, verdadeira, única. Mas quantos leram algo de Hilda? Em sua trilogia obscena (O caderno rosa de Lori Lamb - Contos D’Escárnio/ Textos Grotescos – Cartas de um sedutor) Hilda zomba do mercado editorial brasileiro, de suas artimanhas e ainda escancara o sexo de forma corajosa, mas mesmo assim jocosa. HH, como se autodenomina, usa desse turbilhão de sentimentos, que passeia pela ironia, pelo belo, pelo assustador, pelo cotidiano e pelo metafísico, de forma tão intensa como raras vezes se viu na literatura brasileira.
                E ainda assim, por que a obra da autora não está nas escolas, nas aulas de literatura, por que não é idolatrada de forma justa? A obra completa de Hilda Hilst está sob domínio da Editora Globo, que relançou todos os livros com uma arte gráfica minimalista e com organização de Alcir Pécora, Professor de teoria literária na Unicamp. Vale a pena buscar um pouco da obra dessa mestra das palavras, que escreveu prosa, poesia, teatro e híbridos dos anteriores.
                

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