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Cena de Os Amores Imaginários [Foto: Divulgação]
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Com um ano de atraso, finalmente chegou aos cinemas brasileiros o segundo longa-metragem do diretor canadense Xavier Dolan, Os Amores Imaginários. Dolan - que foi premiado no Festival de Cannes com o seu filme de estreia como diretor/produtor/roteirista, Eu Matei Minha Mãe, no qual trabalhou também como intérprete do personagem principal -, em seu “novo” trabalho, continua abusando de takes em câmera lenta e da fotografia impecável no decorrer de 1 hora e 40 minutos.
Acontece da seguinte forma: você vê aquela pessoa que pode ser comparada com Adônis (que na mitologia grega era o padrão de beleza a ser seguido), pensa, a princípio, que é apenas um exibicionista qualquer e depois de algumas conversas descobre que ele também é culto, inteligente, engraçado e mente aberta, além de carinhoso ao extremo, o que lhe faz pensar que ele quer algo além de uma simples amizade. Surge a pergunta: como não se apaixonar? Ou melhor: como não se ver envolvido psicologicamente por esse jogo de dúvidas e atrações?
Francis (Dolan) e Marie (Monia Chokri) são bons amigos até o momento em que conhecem Nicolas (Niels Schneider), um lindo rapaz que acaba de chegar do interior a Montreal. A história se desenrola na tentativa de ambos – Francis e Marie – em conquistar Nicolas, transformando a boa amizade daqueles em uma rivalidade imatura e mesquinha, enquanto este parece não entender todo o conflito. A narrativa é acompanhada por depoimentos de pessoas que passaram pela experiência de se apaixonar por alguém que parecia ser recíproco ao sentimento, contudo essa reciprocidade não passava de imaginação.
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As três capas dos DVDs do filme [Foto: Divulgação]
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Os Amores Imaginários é detalhista ao extremo nas expressões das personagens e na arquitetura das cenas, que, por vezes, são postas em câmera lenta e acompanhadas de uma trilha sonora excepcional - como a inesquecível “Bang Bang” da cantora egípcia Dalida -, é impecável na fotografia, nas cores que a constitui e no figurino, com referências claras à atriz Audrey Hepburn.
No entanto – talvez pela sobrecarga que o jovem ator/roteirista/diretor/produtor (não necessariamente nessa ordem) toma para si, talvez por uma possível imaturidade do mesmo -, o filme peca no roteiro, o qual é claramente produzido dentro de concepções intelectuais acerca de qualquer coisa, porém mal construído dentro do (pseudo)romance. Os diálogos se perdem em discussões filosóficas na tentativa de mostrar uma possível intelectualidade das personagens (ou, quem sabe, do próprio diretor), que pouco têm haver com a história central, podendo fazer com que o espectador se perca na real finalidade que o longa se propunha a transmitir.
Xavier Dolan pode até ser considerado um bom diretor contemporâneo – como eu próprio acredito -, mas ele ainda precisa avaliar seu possível egocentrismo, perceptível na tentativa de ser um “faz-tudo” no cinema, para que ele possa finalmente estabelecer o que faz de melhor e nisso ser louvável.
Confira o trailer do filme:


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